O Brasil caminha para registrar um volume histórico na produção agrícola. A projeção de setembro divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta que a colheita de grãos deve alcançar 354,5 milhões de toneladas no acumulado do ano, o que representa um crescimento de 2,4% em relação ao desempenho registrado no ano anterior, que fechou em 346,1 milhões de toneladas.
Estabilidade mensal e expansão de área
Na comparação com o mês anterior, o prognóstico manteve-se praticamente inalterado, apresentando um acréscimo de 0,4%, o equivalente a mais de 1,5 milhão de toneladas a mais nos campos brasileiros. Os dados fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola divulgado em uma quinta-feira (15).
Com esse resultado, a série histórica do órgão estatístico registra o maior volume já catalogado para a categoria de cereais, leguminosas e oleaginosas. Paralelamente, a extensão territorial dedicada ao plantio também sofreu ampliação, estimada agora em 83,2 milhões de hectares, o que significa um acréscimo de 1,6 milhão de hectares em comparação ao período precedente.
Soja e milho lideram os resultados positivos
O trio formado por soja, milho e arroz continua exercendo papel central na economia rural do país, respondendo isoladamente por 93% de toda a massa produtiva estimada e ocupando 87,3% da área total destinada à colheita.
Entre os destaques individuais, a oleaginosa principal do país teve sua colheita calculada em 175 milhões de toneladas, um incremento de 5,4% frente ao ciclo anterior, acompanhado por uma ampliação de 1,3% na área cultivada. O milho também apresentou desempenho favorável, com previsão de 143,3 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo avanço de 15,5% na primeira safra, que deve render 29,7 milhões de toneladas, além de outras 113,6 milhões de toneladas esperadas para a segunda safra.
Retração em outras culturas
Apesar do cenário amplamente positivo puxado pelas grandes commodities, algumas culturas registraram recuo no volume colhido. O arroz em casca teve projeção ajustada para 11,2 milhões de toneladas, configurando uma retração de 11,4%, enquanto a respectiva área de cultivo encolheu 12,6%.
O trigo também apresentou baixa acentuada, com estimativa fixada em 5,9 milhões de toneladas, representando uma queda de 24% em relação ao período passado. Completando o panorama das principais lavouras, o algodão herbáceo em caroço deve atingir 9,5 milhões de toneladas, o sorgo tem perspectiva de 6 milhões de toneladas, e o feijão apresenta expectativa de diminuição de 6,6% na colheita total.
O avanço geral na produtividade consolida o papel estratégico do agronegócio nacional, impulsionado sobretudo pelas lavouras de grande escala que compensam as oscilações negativas registradas em cultivos específicos.
