A pergunta clássica sobre qual carreira seguir no futuro motivou uma professora da rede pública de Campinas (SP) a utilizar a inteligência artificial generativa para ilustrar como seus alunos de 9 e 10 anos seriam representados exercendo a profissão dos sonhos.
Inovação digital na periferia A iniciativa, conduzida em 2025 com 31 estudantes do 4º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Professor Carlos Cristovam Zink, gerou imagens que anteciparam a transição da infância para a fase adulta com o auxílio do ChatGPT. O vídeo com a reação emocionada das crianças rapidamente alcançou repercussão internacional nas redes sociais.
A docente responsável pela atividade explica que o objetivo principal foi fazer com que os estudantes imaginassem uma realidade ainda distante. “Para mim, como professora, é muito significativo criar situações em que os alunos se sintam valorizados e vejam que alguém acredita neles, que têm potencial para irem além”, afirma a educadora.
Desafios da cultura digital Com a transição gradual dos tradicionais quadros negros para os computadores, especialistas apontam que as instituições de ensino precisam acompanhar as transformações tecnológicas de forma responsável. O cenário atual mostra crianças com acesso rápido a dados, mas que muitas vezes encontram dificuldades para converter esse volume de informações em aprendizado real.
Para Kassula Correa, diretora-geral de uma instituição de ensino privada no Rio de Janeiro, a facilidade no manuseio de dispositivos móveis não garante competência investigativa. “Uma criança pode ter facilidade para mexer no celular e, ainda assim, não saber pesquisar com profundidade, identificar uma informação falsa ou compreender os riscos de compartilhar determinados dados”, aponta.
A especialista também reforça a necessidade de inclusão e acolhimento. “Precisamos oferecer ferramentas, formação e condições para que o professor consiga ensinar a essa geração em que cada criança tem seu ritmo, suas dúvidas e sua maneira de aprender”, defende.
Formação continuada e rotina docente A preparação dos profissionais da educação para lidar com as novas tecnologias é vista como um caminho inevitável por pesquisadores da área. Marcio Luiz Dias, que atua na formação continuada de professores na rede pública do Distrito Federal, destaca a velocidade das mudanças digitais. “No campo digital, as mudanças ocorrem em velocidade tão rápida que torna praticamente impossível que o currículo das faculdades esteja sempre atualizado”, avalia.
Além de dinamizar exercícios e criar planos de aula, a tecnologia atua na automação de tarefas administrativas repetitivas, liberando tempo para o planejamento pedagógico. “Nós professores nos vemos com uma série de rotinas burocráticas, repetitivas, cansativas que, embora essenciais para o andamento da escola, tomam nosso tempo para estudar, planejar aulas, testar formatos e adequações, bem como acompanhar de maneira mais próxima nossos estudantes”, relata Marcio Luiz.
Diretrizes federais para o setor Enquanto educadores adaptam ferramentas como o ChatGPT para criar jogos educativos e materiais inclusivos para alunos neurodivergentes, o Ministério da Educação (MEC) prepara a publicação de uma resolução inédita sobre o tema. O documento visa estabelecer parâmetros nacionais unificados para orientar a adoção ética e segura da tecnologia.
“A partir da resolução, o país passa a contar, de forma inédita, com um parâmetro nacional unificado para orientar a adoção consciente e ética da inteligência artificial em todas as etapas de ensino”, pontua a nota oficial da pasta.
