Os usuários dos óculos inteligentes Ray-Ban Meta enfrentaram uma vulnerabilidade grave de privacidade recentemente: os dispositivos registraram conversas do ambiente sem que nenhum comando de voz tivesse sido acionado. Além de captar o áudio de forma involuntária, o sistema gerou transcrições escritas dos diálogos, que acabaram sincronizadas no aplicativo de inteligência artificial da marca.
Bug no firmware e resposta oficial
Os relatos sobre o comportamento anômalo do acessório começaram a surgir em fóruns da internet logo após a disponibilização de uma atualização de sistema. Em condições normais, o aparelho exige a frase de ativação “Hey Meta” para iniciar qualquer escuta ou processamento de dados.
Embora a companhia não tenha detalhado a origem técnica do erro, ela declarou que a situação já se encontra normalizada. “Este problema foi resolvido. As pessoas podem gerenciar, revisar e excluir registros de voz de suas interações com o Meta AI por meio das configurações a qualquer momento”, afirmou a empresa. No mercado brasileiro, a linha é comercializada com valores que começam em R$ 3.699.
Usuários relatam ativação sem consentimento
Entre os episódios reportados, consumidores afirmaram ter encontrado arquivos de áudio gravados mesmo com a função “Respond without Hey Meta” desligada — recurso criado para dar continuidade a interações sem repetir a palavra-chave. Em certas ocasiões, a luz de LED branca embutida na armação chegou a acender sem qualquer solicitação manual.
Diante do problema, o atendimento ao cliente da fabricante chegou a recomendar ações drásticas aos afetados, como desligar as permissões de microfone e câmera, pausar atualizações automáticas e desativar sensores de uso. Essas instruções praticamente anulam os diferenciais tecnológicos do acessório, motivando discussões sobre possíveis ações judiciais coletivas contra a corporação.
Polêmicas de privacidade e inteligência artificial
O incidente aprofunda um debate que já cerca os óculos desde o seu lançamento. O formato discreto do hardware já vinha sendo utilizado por criadores de conteúdo para filmar terceiros em espaços públicos sem consentimento prévio. Além disso, denúncias anteriores apontaram que equipes terceirizadas de treinamento da Meta AI tiveram acesso a vídeos de momentos íntimos dos usuários, incluindo relações sexuais capturadas involuntariamente.
Para mitigar esses riscos, a Meta implementou travas de segurança que impedem o funcionamento da câmera caso o LED indicador esteja coberto ou adulterado. Esse rigor técnico já provocou o bloqueio remoto de cerca de 0,1% das unidades vendidas globalmente por suspeita de violação física dos componentes.
Restrições legais e regulatórias no Brasil
O impacto do dispositivo sobre a segurança dos dados também mobiliza autoridades nacionais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) incluiu o acessório na lista de eletrônicos expressamente proibidos dentro das cabines de votação durante as eleições.
Na mesma linha de cautela, o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) acionou o Ministério Público Federal para apurar os riscos que os óculos inteligentes da Meta impõem aos direitos fundamentais de vigilância e privacidade dos cidadãos.
