A disputa digital entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) passou por uma inversão completa de papéis na reta final das eleições de 2026. Se nos primeiros meses do ano o parlamentar mantinha um ritmo mais agressivo de postagens e polarização contra o Palácio do Planalto, o cenário atual mostra o petista dominando o volume de conteúdo e partindo para o confronto nominal contra o adversário.
Um levantamento detalhado compilou 2.129 publicações nos perfis oficiais de ambos os candidatos no Instagram entre 1º de janeiro e 14 de outubro. A amostragem abrange 1.305 conteúdos veiculados durante a pré-campanha e 824 postagens veiculadas na campanha oficial, considerando métricas de reproduções, comentários, curtidas e termos utilizados nas legendas.
Inversão na linha de ataque
A postura em relação ao concorrente sofreu uma alteração expressiva. Antes do início oficial do período eleitoral em agosto, Lula não citou os termos Bolsonaro ou Flávio em nenhuma legenda. Por outro lado, o senador mencionava o nome do atual chefe do Executivo em 21% de suas publicações, recorrendo com frequência à expressão “governo Lula”.
Contudo, a dinâmica se transformou com a chegada do segundo turno. O candidato petista saltou de apenas 4% de menções ao rival na etapa inicial para 26% com o nome Bolsonaro e 20% com o termo Flávio. O nome composto Flávio Bolsonaro tornou-se a combinação mais repetida pelo presidente (20 vezes), ultrapassando “povo brasileiro” (16 vezes). Entre os destaques, um vídeo divulgado em 8 de outubro com a chamada “O Brasil perde com Flávio Bolsonaro” alcançou 22,3 milhões de visualizações.
Em sentido oposto, Flávio reduziu a proporção de menções diretas a Lula para 18% no primeiro turno e 15% na etapa final. Apesar de citar o opositor com menos frequência, seus vídeos de embate direto continuam gerando forte retorno de audiência. Em 14 de outubro, após ter afirmado na véspera que não compareceria ao debate da TV Bandeirantes, o senador publicou um vídeo confirmando presença e disparou: vou esfregar a verdade na tua cara. A publicação somou 26,2 milhões de reproduções, tornando-se o seu vídeo mais visto no segundo turno.
Evolução de temas e vocabulário
O foco discursivo de ambos os perfis também passou por transformações temáticas ao longo dos meses.
Do tom institucional à mobilização popular
Na primeira metade do ano, a conta de Lula operava com linguagem voltada à gestão pública, destacando termos como indústria, programa, estudantes e projetos como o Novo PAC e a inteligência artificial. Na primeira etapa de votação, o vocabulário incorporou tópicos de serviços e a regulação de apostas; a postagem de 25 de setembro celebrando a restrição das “bets” por medida provisória atingiu 1,6 milhão de interações.
No segundo turno, o petista passou a focar na mobilização das bases. A palavra “bora” saltou de 2% para 18% de presença nas legendas, “família” subiu para 19% e “povo” alcançou 37%. Uma das principais bandeiras recentes foi o encerramento da jornada de trabalho 6×1, aprovado no Senado: a temática esteve em 12% dos posts da etapa final, e a publicação de 14 de outubro sobre o assunto atingiu 2,7 milhões de interações.
Campanha eleitoral contínua
Já Flávio Bolsonaro manteve o discurso de mobilização eleitoral desde a pré-campanha, quando utilizava palavras como resgatar e esquerda. No período de votação oficial, a mensagem concentrou-se nos verbos de convocação: vote constou em mais da metade de suas publicações em ambos os turnos, e vencer apareceu em cerca de 50% dos conteúdos.
Na reta final da primeira etapa, narrativas contra a censura dominaram as postagens mais populares do parlamentar. No segundo turno, o registro de maior engajamento do senador tratou da veiculação de sua propaganda eleitoral sem áudio na televisão em 12 de outubro, somando 2,3 milhões de interações. Já a palavra “mud
