A postura cênica e o comportamento espacial durante transmissões eleitorais vão muito além dos discursos orais. No debate presidencial promovido pelo Grupo Bandeirantes, o comportamento do senador Flávio Bolsonaro reproduziu uma estratégia célebre do ex-presidente americano Donald Trump, segundo a avaliação de um linguista especializado em linguagem corporal aplicada à política.
Pressão psicológica e ocupação de espaço
A tática identificada consistiu na presença contínua do parlamentar posicionado logo atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o confronto televisivo. Esse tipo de enquadramento foi amplamente utilizado por Trump na campanha eleitoral norte-americana de 2016, quando o republicano se colocava deliberadamente na linha visual de adversários no palco para projetar dominância física.
Estratégia de linguagem não verbal
De acordo com analistas do comportamento político, ficar atrás do concorrente serve a dois objetivos principais: desestabilizar a concentração de quem está com a palavra e disputar a atenção do telespectador, que passa a dividir o foco visual entre a fala do orador e as reações silenciosas de quem está em segundo plano.
A aplicação desse método demonstra como os elementos visuais e a ocupação geográfica do estúdio são minuciosamente calculados pelas equipes de campanha para influenciar a percepção do público indeciso.
