© José Cruz/Agência Brasil
O diagnóstico precoce do câncer de mama pode salvar vidas. Na jornada do tratamento, as pacientes lidam com exames, medicamentos, procedimentos e, no meio de tudo isso, com as emoções. A rede de apoio formada por familiares, amigos e profissionais ajuda na travessia desse período.
Quando tratado na fase inicial, o câncer de mama tem 95% de chance de cura, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Ainda assim, para muitas mulheres, o diagnóstico traz forte impacto psicológico. A psicóloga Andréa Cristina Pavei Soares, conselheira da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), destaca que a dor é física, mas o sofrimento é emocional e, por isso, a rede de apoio é fundamental.
“A gente sempre pede assim, que a mulher nunca vá sozinha ao médico, aos exames, que ela sempre tem alguém junto, para ela sentir que ela não está sozinha. Também entendendo que ela está fragilizada com todas as questões que acometem naquele momento, que é o deixar de trabalhar, que é o ter que deixar os filhos com outras pessoas ou deixar de buscá-los na escola, porque tem que fazer os exames. Então, tudo isso acontece com essa mulher e a gente precisa dar todo esse apoio. Então, saber que a pessoa está com câncer é estar ao lado dela para que todas essas questões possam minimizar esse sofrimento dela.”
A bancária Marina França já passou pela quimioterapia, retirada das mamas e segue em tratamento com remédios. Ela conta que nesse momento, em que a vida vira de cabeça para baixo, contar com o apoio da família e dos amigos fez toda a diferença.
“É um processo longo e difícil, mas se a gente tem apoio, vai melhor, sabe? Bem melhor. Até nos momentos que a gente tá bem, assim, né, as pessoas chamarem para passear e tudo, a gente aceitar, porque faz diferença mesmo, né? Tem dia que a gente tá muito, assim, debilitado, mais cansado, mas tem outros dias que você fica bem. Então, aproveite esses dias para tentar manter o convívio social, um passeio na medida do possível, né?”
Para a psiquiatra Karinne Borges, diagnosticada com câncer de mama no ano passado, a primeira preocupação foi com a sobrevivência. Depois, surgiram dúvidas sobre o tratamento.
“Uma segunda preocupação da mulher é que procedimento eu vou fazer, né? E se eu tiver isso de novo, e como vai ficar o resultado dessa cirurgia, porque o tratamento sempre envolve cirurgia. E então eu comecei a sofrer com essa coisa da imagem, com essa coisa do prognóstico”.
A rede de apoio é formada por amigos, familiares, colegas de trabalho e também por profissionais da saúde, que ajudam com as informações corretas sobre a doença. A psicóloga Andréa Cristina Pavei Soares ressalta que essa etapa contribui para combater as inseguranças e trazer a paciente para o plano concreto.
“É esse pé no chão que ela precisa que ela perdeu no momento do diagnóstico. Então a gente conseguindo trazer, caminhar junto com essa mulher e a gente conseguindo trazer essa informação que é preciosa para ela, ela consegue novamente assim ver que existe uma caminhada que o câncer não é um fim, mas é um momento que não é fácil, mas que precisa ser vivido e precisa ser enfrentado”.
E vale lembrar que pacientes do SUS têm direito a acompanhamento psicológico, atendimento com equipe multidisciplinar, à cirurgia plástica reparadora da mama e à reabilitação física.
*Com produção de Marcella Nogueira.
Fonte:Agência Brasil
