Com uma rotina intensa que inclui passagens por Singapura, Los Angeles e Sepang em apenas dez dias, Martin Garrix mantém o ritmo frenético que marcou sua trajetória internacional iniciada quando ele tinha apenas 16 anos. Aos 30 anos e com metade da vida na estrada, o DJ e produtor holandês acumula vasta experiência em viagens, mas enfrenta as reflexões típicas dessa fase da vida.
O processo criativo de MARTY
Completando mais de uma década de carreira, o artista tem se dedicado a entender quem ele é além da cabine de comando. Essa busca resultou no projeto de 14 faixas intitulado com seu primeiro pseudônimo, com lançamento marcado para 5 de março de 2027 pela Interscope Records e por seu próprio selo, a STMPD RCRDS. Embora seu trabalho de 2022 tenha sido divulgado como disco de estreia, ele diferencia os projetos: “[MARTY] soa como o primeiro álbum pop — pop-dance, basicamente”, esclarece o músico.
O material foi planejado para ser autobiográfico, estruturado em capítulos que vão desde o nascimento do artista — retratado na faixa de abertura “Catharina”, dedicada à mãe — até temas como vida após a morte e renascimento. A proposta busca responder como amadureceu aquele prodígio que estourou em 2013 com o hit “Animals”.
Parcerias de peso e novas colaborações
A lista de convidados do projeto conta com nomes de grande projeção internacional, incluindo Madonna na faixa “Bizarre”, U2 em “Fireflies”, Ed Sheeran em “Rewind Repeat It” e AITANA na primeira música em espanhol do produtor. A obra também marca a primeira colaboração do holandês com um grupo de K-pop.
“Tive a oportunidade de trabalhar com artistas incríveis e lendários; é algo surreal”, diz Garrix sobre as participações em MARTY, que também marca sua primeira colaboração com um grupo de K-pop. “Até mesmo quando a Madonna lançou o álbum dela, eu fiquei pensando: ‘Como é que o meu nome está ali?’”
A experiência de cantar sozinho
Pela primeira vez, o produtor assume os vocais sozinhos em quatro faixas do repertório, incluindo as já lançadas “Catharina” e “This Dream Of You”. O incentivo para assumir o microfone veio de Bono, vocalista do U2, que auxiliou nas orientações vocais e composições.
“Para ser sincero, o motivo de eu não ter feito isso antes é que eu estava muito confortável. Eu pensava: ‘Ok, vou apenas compor para outros, e deixo que outras pessoas cantem’”, diz.
O artista reforça que a decisão representou um desafio necessário, especialmente pela carga emocional das composições. “Há músicas muito pessoais no álbum. Seria estranho se outra pessoa cantasse uma canção sobre a mãe dele”, aponta, explicando a urgência de assumir a própria identidade artística no projeto.
Por fim, o produtor espera que o público compreenda a profundidade do novo trabalho para além dos grandes festivais e pirotecnias. “Estou muito empolgado para mostrar às pessoas algo além do que elas já conhecem”, diz. “Muitos supõem que DJs e produtores simplesmente chegam a um show e tocam músicas a partir de um pendrive, mas dá muito mais trabalho quando você é, de fato, quem cria a música que está sendo tocada. Componho tudo no violão, gravo as demos… Estou animado para levar o público nessa jornada. Isso não significa que vou perder meu DNA, mas quero evoluir.”
