Uma onda massiva de manifestações contra o encarecimento do custo de vida e a precariedade das escolas mobilizou mais de 500 mil pessoas em solo francês, culminando em confrontos generalizados. O saldo dos distúrbios contabiliza 1.800 prisões, cerca de 500 policiais feridos e uma morte em decorrência de parada cardíaca, sob investigação pelo Ministério Público de Paris.
Pronunciamento à nação e promessa de punição
Diante da escalada de vandalismo que tomou as ruas, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez uma transmissão oficial em rede nacional neste domingo (18). Em sua fala, o chefe de Estado sustentou que “nada justifica” a violência “desenfreada” e enfatizou a separação entre demandas da população e a criminalidade.
O mandatário frisou a necessidade de distinguir os manifestantes que possuem “reivindicações legítimas” de “aqueles que destruíram, quebraram e saquearam”. Ao se dirigir à população, declarou: “Esta noite, todos sentimos raiva e vergonha”.
Macron direcionou a culpa dos ataques a “elementos insurrecionais de grupos radicais de extrema esquerda, acompanhados por numerosos criminosos”, advertindo categoricamente: “Quem saqueou terá de pagar pelos danos, e aqueles que tentaram derrubar a República serão responsabilizados”.
Destruição de prédios públicos e cobrança às forças de segurança
A crise provocou cenas severas de vandalismo por várias localidades do território francês. Em Limoges, no centro do país, o fogo consumiu a sede da prefeitura — um prédio erguido no século 19 —, provocando o colapso do telhado e danos estruturais graves. Registros de saques a centenas de lojas também ocorreram em centros como Lyon, Marselha, Bordeaux e a capital francesa.
Após conduzir reuniões de gabinete emergenciais, Macron instruiu governadores regionais e prefeitos a reforçarem o policiamento de estabelecimentos comerciais e imóveis públicos, autorizando o veto prévio a manifestações nas próximas semanas para evitar novas depredações.
Houve questionamentos públicos sobre a eficácia do aparato de inteligência policial diante da extensão dos danos. O líder francês assegurou que haverá “total transparência” nas averiguações e revelou ter exigido do ministro do Interior, Laurent Nunez, que “extraia todas as lições necessárias”, cobrando “respostas claras” sobre a prevenção de tumultos.
Por sua vez, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, defendeu a atuação legal nas redes sociais: “O direito de protestar é um direito fundamental. Semear deliberada e coletivamente a desordem por meio da violência, não”.
Clima de tensão na capital e repercussão internacional
Mesmo com forte esquema de segurança, focos de agitação persistiram na Place de la République, em Paris, onde equipes policiais recorreram a bombas de gás lacrimogêneo para conter indivíduos mascarados que tentavam queimar lixeiras e bicicletas.
O volume de encarceramentos deste fim de semana se aproxima do patamar registrado no auge dos protestos dos coletes amarelos em dezembro de 2018, quando quase 2 mil pessoas acabaram detidas em apenas 24 horas. O descontentamento popular começou a transbordar fronteiras, inspirando embates semelhantes em nações vizinhas, incluindo Itália e Albânia.
