O senador Flávio Bolsonaro (PL) reassumiu a liderança na corrida pela Presidência da República, alcançando 52% dos votos válidos no segundo turno, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 48%. O levantamento, realizado entre 16 e 18 de outubro, indica que a diferença de quatro pontos percentuais entre os postulantes ultrapassa a margem de erro de 1,8 ponto percentual.
Mudança de cenário e embate na reta final
A nova amostragem consolida uma reviravolta na disputa. Após a votação inicial de 4 de outubro — na qual o parlamentar obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do chefe do Executivo —, a primeira sondagem para a etapa decisiva apontava o candidato da direita com seis pontos de dianteira. Em seguida, a campanha lulista ensaiou uma reação e igualou o placar em 50% para cada lado, mas a vantagem voltou a se abrir em favor do senador.
Para frear o avanço governista, a oposição intensificou a presença nas ruas, promovendo grandes mobilizações em Vitória (ES), Salvador (BA) e na avenida Paulista, em São Paulo (SP). Além disso, a propaganda eleitoral do PL no rádio, na televisão e nas plataformas digitais endureceu o tom das críticas à gestão federal, neutralizando medidas recentes anunciadas pelo Palácio do Planalto, como o repasse de R$ 5.000 via Pix para microempreendedores individuais, o fim da jornada 6×1 e a gratuidade nos ônibus urbanos aos fins de semana.
Impacto das recentes controvérsias
O ambiente digital também refletiu um momento adverso para o governo petista nos últimos dias. Uma entrevista concedida pela lobista Roberta Luchsinger à CNN na noite de 17 de outubro repercutiu amplamente nas redes. Ela declarou ter conhecimento de supostas relações com o filho do presidente, Lulinha, e chegou a levantar dúvidas sobre a lucidez do mandatário. Monitoramentos de tráfego apontaram centenas de republicações do conteúdo e milhões de visualizações, reacendendo debates sobre corrupção no momento decisivo da campanha.
Desempenho regional e recortes do eleitorado
Na contagem dos votos totais, recortes demográficos mostram forças distintas para cada concorrente. Lula preserva o favoritismo entre as mulheres, somando 51% das intenções de voto contra 42% do adversário, e mantém ampla hegemonia no Nordeste, com 61% de preferência.
Em contrapartida, Flávio Bolsonaro lidera com folga no Sul (62%) e no Centro-Oeste (60%). O candidato do PL também sustenta dianteira estratégica no Sudeste, colégio que concentra a maior fatia de votantes do país, onde marca 53% diante de 42% do petista.
Rejeição dos candidatos e avaliação do governo
O índice de resistência ao atual mandatário atingiu 48% entre os eleitores que afirmam não votar nele “de jeito nenhum”. Já o grupo que o considera o “único em que votariam” representa 42%. A taxa de rejeição ao senador oscilou para 44%, ante 45% apurados no levantamento anterior.
O julgamento da administração federal reflete o cenário de polarização: 50% da população desaprova o trabalho pessoal do presidente, enquanto 44% manifestam aprovação e 6% não souberam avaliar. A reprovação ao governo como um todo também marca 50%, frente a 45% de avaliação positiva e 5% de indecisos.
Metodologia da pesquisa
O estudo eleitoral ouviu 3.000 pessoas em 695 cidades espalhadas pelas 27 unidades federativas, por meio de entrevistas telefônicas com discagem automatizada. O nível de confiança é de 95%, e o trabalho está devidamente registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-02586/2026.
