Milhares de manifestantes foram às ruas neste domingo em diversas regiões do Brasil para manifestar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defender o Estado democrático de direito. De acordo com informações calculadas pela coordenação de campanha partidária, os atos se espalharam por cerca de 500 municípios, com expressiva concentração em capitais como Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Fortaleza.
Música e engajamento cultural na orla carioca
No período da tarde, a praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, transformou-se no palco de uma grande manifestação musical convocada pelo cantor Caetano Veloso. O encontro contou com a presença de diversos nomes da música popular brasileira, incluindo Marina Sena, Djavan e Duda Beat.
Durante sua participação, Caetano recordou o período em que foi encarcerado durante o regime militar, juntamente com Gilberto Gil e outros colegas de profissão. “Vários artistas sofreram. Nós estamos aqui para apresentar uma defesa da democracia contra esse tipo de coisa e resistir contra as ameaças à democracia”, disse.
O cantor Djavan aproveitou o palanque para ressaltar a relevância de resguardar a soberania do país diante de ingerências externas. Ao celebrar a grande adesão popular na praia carioca, a cantora Duda Beat também expressou entusiasmo com o público: “Isso aqui é a resposta que a gente vai dar. O povo unido consegue tudo. Viva a democracia!”
A classe artística também esteve representada pela atriz Leticia Sabatella, que fez um alerta sobre a necessidade de preservar conquistas históricas. “De um lado a gente tem um candidato de uma família que exalta torturadores, são saudosos da ditadura e não têm um programa de Estado para o Brasil. Do outro lado, a gente tem um programa de governo que a gente já viu ser implantado com políticas sociais muito importantes.”
Mobilização na capital federal e no centro do Rio
Em Brasília, a concentração popular começou logo nas primeiras horas do dia e ocupou a Esplanada dos Ministérios ao longo de todo o domingo. O movimento no centro do poder federal refletiu a articulação de movimentos sociais, trabalhadores e frentes estudantis que viajaram para participar dos atos.
O diretor de Comunicação da União Nacional dos Estudantes (UNE), Alejandro Guerrero, viajou do Rio Grande do Sul especialmente para integrar as manifestações e definiu o cenário eleitoral como uma encruzilhada decisiva para os rumos da nação.
“Existem dois rumos de projeto que neste segundo turno ficam evidenciados. Um projeto que representa a democracia, a defesa da soberania nacional. Do outro lado, o entreguismo, o fascismo e a entrega das nossas riquezas para os Estados Unidos. Esse é o momento para a gente reafirmar a luta em defesa do Brasil da soberania e da democracia”, afirmou o estudante.
Ato matutino reúne trabalhadores na Candelária
Antes do encontro em Copacabana, a Praça da Candelária, no centro da capital fluminense, já havia acolhido uma grande passeata com estudantes e entidades sindicais pela manhã. Entre os presentes estava a esteticista Laura Guimarães, de 27 anos, acompanhada do marido Bráulio Martins, de 33 anos, e do filho do casal, Ícaro, de 5 anos.
Laura relatou como o suporte governamental foi essencial para a trajetória de sua família nos últimos anos. “A partir de 2018, comecei a me envolver e pesquisar, e a praticar minha cidadania e descobrir as lutas que eu ia me envolver. Eu passei muito sufoco depois que minha mãe morreu em 2021. Fui beneficiária do Bolsa Família por um tempo, o que me ajudou muito a cuidar do meu filho e a empreender”, disse Laura, completando em seguida: “Quero que meu filho tenha uma vida que eu não tive. Quero que ele cresça seguro e entendendo quais são os lados, ele como uma criança de uma família que sempre lutou muito”.
A estudante de artes visuais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Andressa da Paz, de 24 anos, também compareceu à Candelária com um grupo de amigas. Ela relatou as dificuldades estruturais que enfrentou no campus da Ilha do Fundão, mencionando falta de luz, ventiladores e materiais básicos ao longo da gestão de Jair Bolsonaro, demonstrando otimismo com a disputa: “Estou esperançosa de que dia 25 de outubro, Lula vai ganhar”, afirmou Andressa.
