O compositor, produtor e multi-instrumentista carioca Daniel Lopes apresentou seu mais novo trabalho independente, o álbum intitulado “Já que veio, fica pra dançar”. A obra aposta em uma fusão inovadora ao costurar memórias centenárias da música brasileira com recursos de tecnologia avançada e encontros com nomes marcantes de diferentes gerações.
Diálogo entre inteligência artificial e tradição do samba
Radicado há três anos em Lisboa, em Portugal, o músico explorou as possibilidades da inteligência artificial na formatação de algumas faixas sem abrir mão da sensibilidade humana. Essa união cibernética fica evidente em “Eclipse total”, parceria com o escritor e compositor Fausto Fawcett, e em “Amor, mistério e dor”, criação de Bruno Levinson e Luís Carlinhos que ganhou arranjos complementados por vozes geradas virtualmente.
Em contrapartida à tecnologia de ponta, o projeto viaja no tempo e fecha o repertório revisitando as raízes do samba. Na faixa final, Lopes resgata a voz original de Noel Rosa (1910–1937) no clássico “Com que roupa?”, composto em 1929 e gravado pelo artista em 1930, promovendo uma conexão que atravessa quase um século de história.
Encontros de gerações e conexões afetivas
Ao longo de 15 composições, o disco transita por climas variados e conta com um time diverso de convidados. A organicidade se faz presente com a interpretação de Chico Chico na autoral “E tudo mais”, enquanto Anna Ratto divide os vocais em “Quero saber”. A cantora Lia Sabugosa também participa com uma versão de “Como nossos pais”, marco de Belchior gravado originalmente há cinco décadas.
O repertório ainda traz faixas conectadas por temáticas espirituais: Jorge Vercillo participa de “Quatro elementos”, sintonizada com a mensagem de “Paz na terra”, assinada e cantada por João Viana. Outro momento marcante é “Moacir in blues”, canção que estabelece uma ponte temporal entre o saudoso saxofonista Moacir Silva (1940–2002) e o contrabaixo de seu neto, Jorge Ailton.
Bagagem musical consolidada
Atualmente atuando entre os mercados musicais do Brasil e da Europa, Daniel Lopes acumula uma trajetória de destaque. Nos anos 2000, liderou o grupo Reverse e mais tarde fundou a banda Les Pop, responsável pelo elogiado disco “Quero ser cool” (2011). Em carreira solo, o artista também lançou os registros “Bonito” (2012) e “Input relâmpago” (2014), consolidando sua estética inventiva na cena independente.
