O mercado financeiro brasileiro abriu a sessão desta segunda-feira em tom positivo. O principal índice acionário doméstico operou em alta, rondando o patamar dos 206 mil pontos, acompanhado por um recuo generalizado nas taxas dos contratos de juros futuros e pela desvalorização do dólar comercial, negociado próximo a R$ 5,05.
Cenário macroeconômico: Focus e inflação
No radar doméstico, o Banco Central divulgou novas estimativas por meio do Boletim Focus. As projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) sofreram cortes marginais para 2026 (de 1,85% para 1,83%), 2027 (de 1,40% para 1,32%) e 2028 (de 1,83% para 1,81%). Paralelamente, as expectativas para a moeda norte-americana foram reduzidas para R$ 5,13 em 2026 e R$ 5,22 em 2027. A estimativa da taxa Selic permaneceu em 13,25% ao final deste ano.
No campo da inflação corrente, o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) acelerou e registrou alta de 1,76% em outubro, superando o resultado de 1,47% observado em setembro, de acordo com dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Corrida eleitoral afunila disputa
A última semana que antecede o segundo turno presidencial traz volatilidade política aos negócios. Os investidores repercutem o embate ocorrido no debate promovido pela TV Band entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, além da publicação de duas pesquisas de intenção de voto.
O levantamento BTG/Nexus indicou empate técnico entre os candidatos, com Flávio somando 46,5% das intenções contra 45,9% de Lula, sob margem de erro de dois pontos percentuais. Já o levantamento AtlasIntel apontou o senador com 49,8% e o atual presidente com 47,6%, uma diferença ligeiramente superior à margem de erro de um ponto.
Após o encontro televisivo, Lula criticou a dinâmica do debate e insistiu na abertura mútua de sigilos bancários e telefônicos: “Eu acho que foi o primeiro debate que nós fizemos. Eu acho que foi um debate que está em um nível muito baixo porque é muita denúncia de corrupção. Por isso que eu resolvi fazer o desafio ao Flávio Bolsonaro para que a gente possa abrir o nosso sigilo bancário, nosso sigilo telefônico, para saber quem é quem nesse país”, disse o mandatário, que complementou: “Aliás, eu me dispus a fazer (quebra de sigilo) da minha família inteira, e que ele faça o da família dele, que a gente vai saber qual é a família que praticou roubo nesse país”.
Em outra frente de debate social, pesquisa BTG/Nexus apontou que 66,2% dos brasileiros apoiam o fim da jornada 6×1 sem redução salarial, proposta recentemente apreciada pelo Congresso Nacional.
Mercado corporativo e movimentações da B3
No universo das empresas, a Localiza (RENT3) aprovou sua 49ª emissão de debêntures simples, no montante de R$ 1 bilhão, com foco na recomposição de caixa. A Dexco comunicou o encerramento da produção de louças sanitárias na planta de Cabo de Santo Agostinho (PE), mantendo a atividade centralizada na unidade de Jundiaí (SP).
No setor automotivo, a Automob (AMOB3) reportou receita bruta de R$ 4,014 bilhões no terceiro trimestre, um crescimento anual de 9%. Já a Unifique (FIQE3) teve o processo de sua oferta pública de aquisição (OPA) suspenso por solicitação de detentores de mais de 10% das ações em circulação. No setor de alimentos, a M. Dias Branco (MDIA3) adquiriu 80% da fabricante Grespan Pães Congelados.
Contexto internacional: PIB chinês e cautela externa
No exterior, a economia da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre em relação ao ano anterior, superando projeções e impulsionada pelas exportações, embora as vendas de imóveis sigam em trajetória descendente, com recuo acumulado de 13,7% até setembro.
Nas praças ocidentais, os futuros de Wall Street ensaiaram recuperação antes da divulgação de resultados de gigantes tecnológicas, enquanto as bolsas da Europa enfrentaram desvalorizações expressivas sob o impacto de distúrbios sociais e tensões fiscais na França.

