Pesquisa Quaest divulgada recentemente aponta que 70% dos brasileiros sentem um forte crescimento na violência urbana, enquanto 66% avaliam que a punição aos criminosos diminuiu. Esse cenário de preocupação popular coloca a segurança pública no centro das discussões políticas e eleitorais.
Avanços institucionais e propostas no Congresso
Nos últimos dias, o Senado Federal debateu em plenário a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Paralelamente, o presidente Lula declarou em entrevista à TV Globo apoiar a redução da maioridade penal, pauta histórica da oposição que agora ganha novos contornos no debate nacional.
Outro ponto que entrou na pauta pública foi um projeto de lei defendido por Flávio Bolsonaro (PL) que sugere o fim da identificação em cartuchos e projéteis. O tema do armamento ganha relevância diante de dados alarmantes sobre a circulação de armamentos ilegais.
Desvios e o impacto das armas de fogo
Dados do Atlas da Violência revelam que 70% dos homicídios registrados no Brasil em 2024 foram cometidos com armas de fogo, sendo 77% das vítimas pessoas negras, o que representa uma morte a cada 16 minutos. Investigações jornalísticas e levantamentos recentes demonstram que cartuchos comprados legalmente pelo Exército já foram encontrados em apreensões ligadas a facções criminosas como o Comando Vermelho.
Além disso, o rastreamento por meio de marcações que indicam lote, fabricante e ano de fabricação auxilia milhares de investigações policiais. Contudo, estudos apontam barreiras na transparência, já que polícias estaduais chegam a ignorar ou negar 71% dos pedidos de acesso à informação sobre armamentos.
Para debater os desafios estruturais e o controle de armamentos, o episódio mais recente contou com a participação de Roberto Uchôa, pesquisador da Universidade de Coimbra, associado sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e ex-policial federal e civil no Rio de Janeiro.
