
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, admitiu nesta quarta-feira (30) que uma eventual volta do Reino Unido à União Europeia pode estar entre as opções consideradas pelo governo para redefinir a relação do país com o bloco europeu.
A declaração foi feita um dia depois de Burnham abordar o futuro das relações com a UE durante o congresso anual do Partido Trabalhista, em Liverpool. O premiê afirmou que pretende apresentar diferentes alternativas para o vínculo de longo prazo entre Londres e Bruxelas em uma cúpula prevista para novembro.
Questionado pela BBC sobre quais opções poderiam estar em discussão, Burnham afirmou que o Reino Unido poderia manter a situação atual, permanecer fora da União Europeia, entrar em uma união aduaneira, voltar ao mercado único ou “ir até o fim”, em referência a uma eventual readesão ao bloco.
“Existem, claramente, opções a considerar e temos de analisar o que é viável, assim como as vantagens e desvantagens de cada uma delas”, afirmou.
Burnham não indicou, porém, qual dessas possibilidades seria sua preferência neste momento.
O premiê, que fez campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia no referendo de 2016, voltou a fazer críticas ao Brexit.
Durante o discurso em Liverpool, Burnham afirmou que a saída do bloco “trouxe mais prejuízos do que benefícios” ao país, especialmente do ponto de vista econômico.
A posição representa uma mudança importante no tom adotado pelo governo britânico desde que os trabalhistas voltaram ao poder, em 2024.
O Partido Trabalhista venceu as eleições daquele ano defendendo uma reaproximação com Bruxelas, mas mantendo três linhas vermelhas: não voltar ao mercado único, à união aduaneira nem à livre circulação de pessoas.
Burnham, que assumiu como primeiro-ministro em julho após suceder Keir Starmer na liderança trabalhista e no governo, tem adotado uma posição mais aberta sobre o futuro europeu do Reino Unido.
Antes mesmo de assumir o cargo de primeiro-ministro, Burnham já havia manifestado publicamente o desejo de ver o Reino Unido retornar à União Europeia em algum momento.
Agora, porém, a possibilidade aparece pela primeira vez de forma explícita entre as alternativas que o chefe de governo admite que poderão ser analisadas oficialmente.
Burnham ressaltou que qualquer mudança precisará levar em consideração a viabilidade política, econômica e jurídica, além das vantagens e desvantagens de cada modelo de relacionamento com o bloco.
A próxima cúpula entre Reino Unido e União Europeia deverá servir para discutir o futuro da relação entre as duas partes.
Uma reunião estava inicialmente prevista para julho, mas acabou sendo adiada após a saída de Keir Starmer e a ascensão de Burnham ao cargo de primeiro-ministro.
O primeiro encontro formal entre Londres e Bruxelas dentro da estratégia de reaproximação pós-Brexit ocorreu em maio de 2025, ainda durante o governo Starmer.
Um dos principais temas da nova rodada de negociações será a política europeia conhecida como “Made in Europe”, que prevê dar preferência a empresas e produtos europeus em determinados setores estratégicos.
O Reino Unido quer que empresas britânicas possam receber tratamento semelhante ao concedido às companhias da União Europeia.
A questão ganhou ainda mais importância diante da pressão de Bruxelas para que Londres aproxime sua política comercial das regras europeias. A União Europeia também tem discutido medidas para evitar que produtos de países terceiros, como a China, cheguem ao mercado europeu por meio do Reino Unido.
As declarações de Burnham têm potencial para reabrir um dos debates mais divisivos da política britânica.
O Reino Unido votou pela saída da União Europeia no referendo de junho de 2016 e deixou formalmente o bloco em janeiro de 2020.
Dez anos depois da votação, o primeiro-ministro afirma que o país precisa avaliar novamente qual modelo de relação com Bruxelas melhor atende aos interesses britânicos.
Burnham, porém, defende que qualquer nova estratégia seja construída a partir de um consenso mais amplo e não apresentou até agora uma proposta formal para iniciar um processo de readesão à União Europeia.
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Fonte:Agência Brasil

