A poucos dias da votação, a distribuição de conteúdo pelas redes sociais colocou a Meta no centro de intensas cobranças do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de disputas jurídicas acirradas. Representantes da controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp participaram de uma reunião com equipes jurídicas das candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), além de integrantes da Justiça Eleitoral, para prestar esclarecimentos sobre a atuação de seus algoritmos.
Disputa judicial e alegações mútuas de prejuízo
O encontro foi convocado após o PT protocolar uma ação apontando prejuízos à campanha do presidente Lula decorrentes da atuação da plataforma. Diante da investida, a equipe de Flávio Bolsonaro também se posicionou para alegar que sofre danos similares, buscando evitar que a Justiça Eleitoral considere o petista como a única parte prejudicada.
O embate nas redes já gerou diversos desdobramentos nos tribunais. A campanha de Flávio Bolsonaro formalizou uma petição ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, abordando canais digitais ligados à base de apoio lulista, com menções ao deputado André Janones. Anteriormente, Nunes Marques já havia acolhido pedido do PL para suspender o canal ‘Exército do Lula’. Além disso, os advogados de Bolsonaro apontaram suposta manipulação nos algoritmos do Google.
Em outra frente, a campanha petista pediu ao tribunal a remoção de 255 contas e exigiu reparação pelo alcance que teria sido perdido na Meta. A própria empresa já havia prestado esclarecimentos recentes ao tribunal após seus sistemas de inteligência artificial gerarem a imagem ‘Flávio 22’, enquanto recusaram criar ‘Lula 13’.
Investimento milionário e alcance político
A centralidade da Meta no processo eleitoral reflete diretamente as quantias vultosas aportadas em publicidade digital. No pleito de 2018, as campanhas desembolsaram cerca de R$ 23 milhões na empresa. Já na prestação de contas parcial da disputa de 2026, os valores destinados à companhia alcançam aproximadamente R$ 290 milhões.
Apesar de a inteligência artificial ter despontado como a principal preocupação no início do calendário eleitoral, a discussão sobre a entrega algorítmica e a visibilidade dos candidatos dominou a reta final. Especialistas e interlocutores apontam que as controvérsias podem se estender para além do dia da votação, servindo de base para novos recursos judiciais movidos por candidatos derrotados.
Comitê independente aponta falhas da plataforma
A pressão sobre a big tech também parte de sua estrutura de governança. O Comitê de Supervisão da Meta, órgão criado entre 2018 e 2020 para atuar de forma autônoma e que conta com a participação do jurista brasileiro Ronaldo Lemos, fez duras críticas à empresa.
Em manifestação tornada pública nesta terça-feira (20), o conselho destacou que “está preocupado com as falhas recorrentes na aplicação das normas eleitorais da Meta” e cobrou posturas mais transparentes e consistentes da plataforma na fiscalização de suas regras ao longo das eleições.
