O cenário da corrida eleitoral no segundo turno ganhou novos contornos de tensão após declarações concedidas pela lobista Roberta Luchsinger à CNN Brasil. Alvo de apurações policiais e próxima a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ela indicou a intenção de formalizar um acordo de colaboração judicial, embora não tenha apresentado provas materiais de ilícitos atribuídos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou ao seu filho.
Ofensiva de Flávio Bolsonaro e foco no confronto televisivo
Diante do relato da lobista, o candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, promoveu uma série de publicações nas redes sociais para repercutir o caso e antecipou que transformará o tema em pauta no debate promovido pela Band.
Ao longo do fim de semana, o parlamentar divulgou cerca de dez postagens no Instagram contendo fragmentos da entrevista com ataques a Lula e menções à proximidade com a família do petista.
“Bomba na família Lula. “Mentiroso e mau-caráter”. Fala tudo, Roberta”, escreveu Flávio logo após a veiculação do conteúdo.
Na manhã deste domingo, o postulante do PL voltou a utilizar a plataforma para reiterar a estratégia de confronto direto: “Eu não gostaria de começar o dia de hoje assim, mas o Brasil precisa saber a verdade sobre o atual presidente. E, mais tarde, ainda tenho algumas perguntinhas para fazer a ele no debate…”, publicou.
Executivo refuta vínculos e denuncia tentativa de manipulação
Em contrapartida, o Palácio do Planalto reagiu formalmente por intermédio da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O governo negou qualquer envolvimento de Lula com a lobista e destacou a ausência de contratos públicos firmados com ela.
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger. Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta”, informou o comunicado oficial.
A nota da Secom também manifestou estranhamento diante da veiculação das declarações no momento final da campanha eleitoral:
“O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores”, complementou o texto institucional.
Operação Sem Desconto e as declarações da investigada
Tanto Roberta Luchsinger quanto Lulinha figuram nas investigações da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As diligências apontam o recebimento de R$ 1,5 milhão pela lobista, repassados por Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”. Segundo Roberta, os valores decorrem de serviços de consultoria. Em uma das transferências, contudo, Antunes mencionou a um contato que o recurso seria encaminhado

