O governo dos Estados Unidos estabeleceu uma janela de até dois meses para medir o impacto financeiro global antes de bater o martelo sobre a aplicação de punições econômicas a Moscou. A informação foi confirmada pelo chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, após a recente paralisação temporária das penalidades que entrariam em vigor nos próximos dias.
Prazo para análise e repercussão internacional
A decisão de Donald Trump congela a aplicação de barreiras comerciais e punições previstas na chamada Lei Graham, aprovada após cobranças de congressistas para punir os russos pelo conflito no Leste Europeu. O dispositivo pune importações de itens da Rússia e penaliza compradores de gás e petróleo do país.
“Acho que o presidente quer usar esse período de 60 dias para analisar o que a aplicação de sanções e tarifas significaria para a economia global e até mesmo para a economia dos EUA”, disse Rubio a jornalistas antes de embarcar para uma viagem ao Uzbequistão.
Em seu resort Mar-a-Lago, em Palm Beach, Trump comentou o cenário ainda em aberto: “Muitos de vocês ainda não sabem qual é a minha decisão, mas vamos resolver isso, e vocês ficarão sabendo”.
A iniciativa do republicano gerou repúdio imediato em Kiev. O líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou a pausa das sanções sob o argumento de que a atitude fortalece Vladimir Putin e tende a prolongar a guerra.
Acordo energético e pressão nos preços do diesel
Paralelamente ao debate sobre as tarifas, a Casa Branca negociou um entendimento com o Kremlin visando reforçar a distribuição internacional de combustíveis. O objetivo principal é frear a escalada de preços decorrente dos entraves causados pela guerra com o Irã.
“Esse diesel será vendido de uma forma ou de outra”, disse Rubio. “A única diferença é quanto dele os EUA conseguiriam obter.”
O plano prevê a entrega inicial de mais de 300 mil toneladas métricas de combustível aos norte-americanos, com novos envios programados para o mês de novembro e etapas seguintes.
Impactos na guerra e mercado doméstico
O secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, declarou em entrevista ao programa This Week, da ABC, que o pacto representa “um incentivo para tentar acabar com a guerra, não uma tábua de salvação econômica” para Moscou.
“Mas a única maneira de eles conseguirem exportar diesel adicional é reduzindo o conflito com a Ucrânia”, disse Wright, em entrevista, também neste domingo.
O titular da pasta energética também destacou o alívio financeiro interno: “Se a Rússia conseguir colocar diesel adicional no mercado e exportá-lo, isso beneficiará os consumidores americanos”, disse ele. “Ele está exercendo pressão que beneficiaria os consumidores americanos e representaria um passo adiante para a paz na guerra entre Rússia e Ucrânia.”
Ao justificar a articulação entre o fornecimento de derivados de petróleo e a flexibilização das penalidades, Marco Rubio ressaltou a complexidade de lidar com crises simultâneas no Oriente Médio e na Ucrânia. O secretário de Estado concluiu apontando o efeito cascata das disputas territoriais: “Esses conflitos ao redor do mundo estão começando a se chocar uns com os outros”.
