O sistema de vigilância sanitária do Quênia diagnosticou mais um paciente infectado pelo vírus ebola, totalizando oito notificações no território queniano. A confirmação ocorre em meio à pior crise epidemiológica da história recente da vizinha República Democrática do Congo, onde a enfermidade já alcançou sua oitava província e continua a se propagar por diferentes fronteiras da África Central e Oriental.
Transmissão secundária e novo diagnóstico no Quênia
A mais recente vítima no Quênia é um homem de 49 anos que não atua no setor médico. As investigações epidemiológicas apontam que ele teve contato direto com o primeiro indivíduo a falecer em decorrência da doença em Nairóbi, no começo de outubro, prestando auxílio no manejo de roupas de cama e na higienização de utensílios do enfermo original, que havia viajado a partir do território congolês.
Após manifestar sinais clínicos característicos no sábado, o homem foi isolado do restante dos indivíduos mantidos em quarentena para passar por exames laboratoriais específicos.
“Hoje, 38 pessoas foram testadas, e uma delas teve resultado positivo para ebola”, disse Amoth. “Ele apresentou febre, dor de cabeça e dores musculares.” A declaração foi feita por Patrick Amoth, diretor-geral de Saúde do país.
Escalada de vítimas e alcance territorial no Congo
Na República Democrática do Congo, o Ministério da Saúde identificou dois novos episódios em Nord-Ubangi, divisão administrativa situada na divisa com a República Centro-Africana. Os pacientes eram jovens na faixa dos 20 anos residentes na comunidade de Wapinda, ponto próximo a Bas-Uele, que já contabilizava casos anteriores. Um desses jovens não resistiu às complicações e morreu.
Deflagrado em meados de maio, o surto congolês já acumulou mais de 9.400 notificações e ultrapassou a marca de 4.500 mortos, tornando-se o episódio mais fatal já registrado no país. Embora Uganda já tenha conseguido erradicar as transmissões e a República Centro-Africana permaneça sem registros até o momento, a disseminação geográfica da enfermidade segue alarmando especialistas internacionais.
“Observamos que, em geral, os focos de ebola estão diminuindo, mas, infelizmente, a doença está se espalhando geograficamente”, disse Mohamed Yakub Janabi, diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África.
Conforme Janabi, uma das principais barreiras no combate à emergência é a resistência das pessoas em procurar suporte hospitalar nos primeiros indícios da enfermidade, cenário que faz com que muitos contaminados venham a óbito dentro das próprias comunidades antes de qualquer atendimento.
Bloqueios de circulação e particularidades da variante Bundibugyo
Para frear os contágios em Kivu do Norte, onde os índices de transmissão permanecem expressivos, a administração local determinou uma série de regras rígidas de isolamento. Entre as deliberações, o acesso de pessoas vindas de Ituri fica suspenso por uma semana.
Também passou a ser proibido transportar mais de dois passageiros em motocicletas e mais de quatro ocupantes em veículos de passeio. Encontros coletivos de grande porte, manifestações de cunho político, atividades em boates e competições esportivas públicas foram totalmente cancelados.
O surto atual envolve a cepa Bundibugyo, uma variante rara para a qual ainda não existem vacinas ou protocolos terapêuticos consolidados e aprovados. A contenção do agente patogênico enfrenta ainda o impacto de migrações em massa, ações violentas promovidas por facções armadas, a desconfiança generalizada de grupos locais e a infraestrutura defasada oferecida às equipes de saúde na linha de frente.
