O Boca Juniors carimbou seu passaporte para a grande decisão da Copa Sul-Americana ao derrotar o Vasco por 3 a 1, em duelo disputado diante de cerca de 66 mil torcedores no Maracanã. A vitória maiúscula fora de casa reverteu a desvantagem construída pelos cariocas na ida e reafirmou a força do time xeneize quando encara adversários brasileiros em competições continentais.
O peso histórico da camisa xeneize contra brasileiros
Embora os clubes nacionais tenham acumulado triunfos recentes sobre a equipe de Buenos Aires — com classificações de Santos, Atlético-MG, Corinthians, Cruzeiro e Fluminense desde 2021 —, o retrospecto geral segue amplamente favorável aos argentinos. Ao despachar o Cruzmaltino, o clube alcançou sua 19ª classificação em 27 confrontos eliminatórios contra equipes do Brasil, registrando um expressivo aproveitamento de 70,4%.
A façanha no Rio de Janeiro também quebrou um longo tabu: o time não vencia em território brasileiro desde 2010, quando superou o Internacional por 1 a 0 no Beira-Rio. Nesta edição do torneio, o clube da Bombonera já havia feito outra vítima paulista nas quartas de final, quando eliminou o São Paulo com uma vitória em casa por 1 a 0 e um empate por 1 a 1 no Morumbis.
O resultado frustrou profundamente a torcida vascaína, especialmente porque o clube carioca havia conquistado um feito raro uma semana antes: venceu por 1 a 0 na Bombonera, tornando-se apenas o oitavo brasileiro a superar o rival em seus domínios em jogos oficiais. Contudo, vitórias históricas no Brasil fazem parte da identidade xeneize, como as decisões da Libertadores de 2003 contra o Santos, de 2007 diante do Grêmio, e a memorável virada sobre o Paysandu em Belém, também em 2003.
Reviravolta e tensão no Maracanã
Antes de a bola rolar, o confronto já era cercado de tensão devido a uma disputa jurídica de três semanas entre o Vasco e o consórcio formado por Flamengo e Fluminense pela utilização do estádio, imbróglio que chegou a motivar ameaças da Conmebol de transferir a semifinal para o Paraguai.
Com o apito inicial, a vantagem vascaína durou pouco. Logo aos quatro minutos, Lautaro Di Lollo subiu mais alto após escanteio cobrado por Lautaro Blanco e abriu o placar de cabeça. A situação dos mandantes se complicou aos 33 minutos, quando Alan Saldívia cometeu erro defensivo no meio-campo, Sebastian Villa lançou com precisão e Miguel Merentiel tocou com categoria na saída de Léo Jardim para fazer o segundo.
Mudanças táticas e o desfecho da partida
No segundo tempo, o técnico vascaíno Pedro Emanuel reorganizou o ataque com as entradas de Marino Hinestroza, Brenner e Puma Rodríguez nos lugares de David, Adson e Paulo Henrique. A pressão surtiu efeito aos 20 minutos, quando Robert Renan desarmou na defesa, Cuiabano cruzou rasteiro pela esquerda e Puma Rodríguez finalizou firme para descontar, reacendendo as esperanças do estádio.
Quando a pressão carioca parecia desenhar o caminho para o empate, um chute de longe de Leandro Paredes frustrou os planos dos donos da casa. A bola com curva e velocidade no centro da meta acabou surpreendendo o goleiro Léo Jardim, decretando o 3 a 1 e selando a classificação dos visitantes.
Expectativa de nova decisão continental
Agora classificado para a final, o time argentino pode voltar a cruzar o caminho de uma agremiação brasileira. O adversário sai do embate entre Atlético-MG e Montevideo City Torque, no Estádio Centenário, no
