O mercado internacional de cafés especiais registrou uma marca histórica para a cafeicultura brasileira. Uma saca de 60 quilos cultivada no interior de Minas Gerais foi arrematada por US$ 26.456 — valor equivalente a R$ 134.581,67 na cotação atual. A cifra faz com que o quilo do grão ultrapasse os R$ 2.000, estabelecendo a maior venda já registrada para o produto nacional dentro dos pregões da Alliance for Coffee Excellence (ACE).
Disputa acirrada e salto financeiro em Tóquio
A comercialização ocorreu durante a realização da SCAJ — World Specialty Coffee Conference and Exhibition, feira promovida pela Associação de Cafés Especiais do Japão, na capital Tóquio. O lote premiado foi adquirido pela companhia japonesa Snow Beans Coffee em uma sexta-feira de lances concorridos.
Ao atingir a marca de US$ 200 por libra-peso, o leilão superou em 40% a máxima histórica do país, registrada no ano de 2018. Naquela ocasião anterior, o lote de ponta havia alcançado US$ 143 por libra-peso, resultando em cerca de R$ 96,2 mil (US$ 18,9 mil) pela saca.
A excelência do terroir da Mantiqueira
O grão de valor recorde é fruto do trabalho da Fazenda Santuário Sul, localizada no município de Carmo de Minas. A propriedade se beneficia do clima ameno e das altitudes elevadas da Serra da Mantiqueira, condições que favorecem o desenvolvimento sensorial e a maturação lenta dos frutos.
O lote em questão pertence à variedade geisha natural, reconhecida mundialmente pela sofisticação. Essa planta entrega uma bebida com perfil doce, textura delicada e notas florais marcantes, com destaque para aromas que remetem a jasmim e mamão papaia. A fazenda coleciona premiações de prestígio e atua sob a chancela da ACE, entidade que contempla apenas seis países (Brasil, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Guatemala e Nicarágua) e organiza o Cup of Excellence, considerado o principal concurso da cafeicultura mundial.
Tradição familiar voltada à alta qualidade
À frente do projeto, o produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho representa a quarta geração de sua linhagem no campo, embora a virada de chave para o segmento estritamente especial tenha se consolidado a partir dos anos 2000. Para o cafeicultor, a conquista reflete meses de manejo minucioso e valida a visão de seus antecessores.
“Eles [a família] sempre acreditaram que, realmente, o café era um produto sem fronteira”, afirma.
O produtor ressalta ainda a relevância de projetar o potencial do país frente aos principais compradores globais de cafés de ponta. “Dividir essa vitória com o Brasil. Mostrar que a gente pode valorizar o nosso produto e, principalmente, que o mercado reconhece que o Brasil tem potencial de produzir os melhores cafés do mundo”, completa.
