Com uma vitória esmagadora pela permanência no Canadá, os eleitores da província de Alberta decidiram rejeitar qualquer caminho rumo à independência. Os dados preliminares revelados nesta terça-feira (20) consolidaram o avanço da campanha do primeiro-ministro Mark Carney pela união nacional, em um cenário marcado por pressões econômicas e posturas agressivas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A votação e a margem de apoio
A contagem inicial, que já ultrapassou a marca de 1 milhão de votos computados pela Elections Alberta, apontou que 77% da população escolheu continuar integrada ao país. Em contrapartida, a alternativa favorável a iniciar um processo separatista registrou 23% dos sufrágios. Embora o pleito não definisse uma independência imediata, o resultado afasta, por ora, a possibilidade de uma consulta definitiva sobre a soberania da região.
A premiê provincial, Danielle Smith, celebrou os números iniciais e destacou o desfecho nas redes sociais.
“Os habitantes de Alberta votaram por uma Alberta mais forte dentro de um Canadá unido”, escreveu Smith.
Contexto político e pressões externas
A convocação da consulta ocorreu por exigência de alas separatistas dentro do Partido Conservador Unido, a legenda governista. Apesar de se posicionar contra a divisão do país, a premiê cedeu às pressões internas. Do lado oposto, líderes da campanha contrária à secessão reforçaram a importância da união territorial.
“Nós somos um país sólido, unido de costa a costa a costa”, disse Thomas Lukaszuk, ex-vice-primeiro-ministro de Alberta e líder da campanha Forever Canadian contra a separação.
A região abriga a quarta maior reserva comprovada de petróleo do planeta e historicamente mantém um sentimento de insatisfação em relação à gestão federal em Ottawa. Analistas apontam que a retórica protecionista e as investidas de Washington, que chegaram a ventilar a hipótese de transformar o território canadense no quinquagésimo primeiro estado americano, acabaram por aproximar parte do eleitorado local do governo central.
Antes do pleito, o primeiro-ministro Mark Carney viajou até Edmonton para intensificar o apelo pela coesão do país.
“Votem como se o futuro do Canadá dependesse disso, porque depende”, disse ele.
A voz dos eleitores
Apesar do revés nas urnas, os defensores da ruptura argumentam que conseguiram estruturar um novo polo político na região. Por outro lado, moradores expressaram visões divergentes sobre o desgaste na relação com o governo central e a conveniência do pleito em um momento de instabilidade internacional.
“Alberta foi tratada essencialmente como uma colônia”, afirmou Dustin Degenhardt após votar. “Eles querem tirar, tirar e tirar de nós sem devolver nada.”
Em uma linha semelhante, a eleitora Taylor MacIsaac justificou sua posição favorável à autonomia.
“Acho que seria bom para Alberta se separar, pessoalmente, como alguém muito conservadora que cresceu na zona rural da província”, disse.
Em contrapartida, críticas à realização da consulta também marcaram o dia de votação. Moradores apontaram que o dinheiro público deveria ser direcionado a áreas prioritárias, como a saúde, em vez de financiar debates divisivos.
“Parece que isso está acontecendo justamente quando deveríamos estar unidos. Em vez disso, estamos brigando entre nós”, lamentou Dave Malka.
Para outros cidadãos, como Jake Graham, o resultado nas urnas representa uma oportunidade para pacificar o debate político interno.
“Espero que isso enterre esse assunto por muito tempo, de forma clara e decisiva, e que essas reclamações desapareçam por um tempo para que possamos ser um Canadá unido”, afirmou.
